Nos últimos anos, temos visto uma mudança no cenário empreendedor. Se antes o foco estava em criar produtos e serviços inovadores, agora há uma crescente aposta em conectar pessoas. Isso mesmo, trazer as pessoas para o centro do negócio e criar uma indústria própria em torno disso. Essa tendência está sendo impulsionada por um pequeno, mas crescente número de fundadores que acreditam que o ato de unir pessoas é um negócio por si só.
Essa ideia pode parecer estranha para alguns, afinal, sempre fomos ensinados a pensar em produtos e serviços como o centro de um negócio. Mas, se pararmos para pensar, não é isso que já acontece com as redes sociais? Elas não são uma indústria que gira em torno de conectar pessoas? Então por que não aplicar esse conceito em outros tipos de negócio?
Segundo dados do IBGE, o Brasil possui mais de 210 milhões de habitantes, sendo que cerca de 139 milhões possuem acesso à internet. Isso significa que há um grande potencial de mercado para empreendedores que desejam criar negócios baseados em conectar pessoas. E é exatamente isso que alguns fundadores estão fazendo.
Um exemplo é o aplicativo Clubhouse, que se tornou um fenômeno mundial ao conectar pessoas através de salas de bate-papo em áudio. Lançado em 2020, o aplicativo já conta com mais de 10 milhões de usuários ativos por semana e está avaliado em cerca de 4 bilhões de dólares. O sucesso do Clubhouse mostrou que existe uma demanda por plataformas que promovam a interação entre as pessoas.
Outro exemplo é o Meetup, uma plataforma que conecta pessoas com interesses em comum para se encontrarem pessoalmente e participarem de eventos e atividades juntas. Desde sua criação em 2002, o Meetup já facilitou mais de 1,2 milhão de encontros em todo o mundo e possui mais de 49 milhões de membros. Eles se tornaram tão populares que foram adquiridos pela gigante de tecnologia WeWork em 2017.
Mas não são apenas aplicativos e plataformas online que estão apostando nesse modelo de negócio. Eventos e conferências também estão entrando nessa onda. Um exemplo é a Collision, considerada uma das maiores conferências de tecnologia do mundo. O evento, que já teve edições em Las Vegas, Toronto e Nova Orleans, reúne milhares de pessoas para discutir inovação, tecnologia e empreendedorismo. Eles também criaram uma plataforma online para conectar os participantes durante e após o evento, gerando ainda mais valor para os seus usuários.
E por que essa tendência está ganhando força agora? Além do avanço da tecnologia, que permite conectar pessoas de diferentes lugares do mundo, a pandemia do Covid-19 também teve um papel importante. Com o isolamento social, muitas pessoas sentiram falta de interações sociais e procuraram formas de se conectar com outras pessoas virtualmente. Isso fez com que plataformas como o Clubhouse e o Zoom ganhassem ainda mais relevância.
Além disso, a interação pessoal também se tornou uma necessidade para muitas empresas. Com o aumento do trabalho remoto, a falta de contato físico entre os colaboradores pode afetar a produtividade e o bem-estar. Por isso, muitas empresas estão investindo em plataformas e eventos que promovam a interação entre seus funcionários, mesmo que virtualmente.
A tendência de criar negócios baseados em conectar pessoas veio para ficar. E isso não significa que os produtos e serviços deixarão de ser importantes, mas sim que eles podem ser complementados por plataformas e eventos que promovam a conexão entre as pessoas. Afinal, somos seres sociais e precisamos de interação para nos sentirmos conectados e pertencentes a um grupo.
Portanto, se você é empreendedor ou está pensando em empreender, fique de olho nessa tendência e pense em como você pode criar um negócio que promova a conexão entre as pessoas. Lembre-se que a tecnologia está aí para nos ajudar nessa missão e que o sucesso pode estar em unir pessoas em torno de um propósito em comum.
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