O que torna a “lama mágica” do beisebol tão especial?


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Desde a década de 1940, jogadores de beisebol têm utilizado um tipo especial de “lama mágica” em novas bolas para reduzir o brilho escorregadio e proporcionar uma pegada mais firme aos arremessadores. Recentemente, cientistas da Universidade da Pensilvânia descobriram o que confere a essa lama suas propriedades especiais, conforme um novo estudo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências.

Antes da chegada da lama mágica, as bolas de beisebol eram tratadas com uma mistura de água e solo do campo ou, em algumas ocasiões, com suco de tabaco ou graxa de sapato. No entanto, esses materiais acabavam manchando e arranhando a superfície de couro da bola. Lena Blackburne, um treinador de terceira base do Philadelphia Athletics nos anos 1930, se deparou com uma reclamação de um árbitro sobre esse problema e decidiu buscar uma alternativa melhor. Foi assim que ele encontrou a lama em um local ainda mantido em segredo, supostamente próximo a Palmyra, Nova Jersey, dando origem a uma verdadeira dinastia no beisebol: a Lama de Rubbing de Lena Blackburne. Após a colheita, a lama passa por um processo de filtragem, é desaguada, enxaguada com água da torneira e, em seguida, submetida a um tratamento “proprietário” secreto antes de ser deixada para assentar.

Apesar de sua importância, a lama mágica não recebeu muita atenção científica, exceto por um estudo realizado em 2022. O que sabemos sobre o comportamento complexo do solo, incluindo a lama, é bastante interessante. Segundo os pesquisadores, a lama é essencialmente “uma suspensão densa de partículas predominantemente de argila e silte em água”, às vezes com um pouco de areia na mistura, embora isso tenha pouco efeito sobre como a lama se comporta sob forças de cisalhamento (rheologia). Tecnicamente, ela se enquadra na categoria de fluidos não-newtonianos, onde a viscosidade muda (tornando-se mais espessa ou mais fina) em resposta a uma tensão ou força de cisalhamento aplicada, equilibrando-se entre o comportamento líquido e sólido.

A descoberta das propriedades dessa lama mágica não só ilumina um aspecto fascinante do beisebol, mas também nos lembra da complexidade que pode existir em algo que parece simples à primeira vista. Afinal, até mesmo a lama pode ter seus segredos e sua ciência por trás do que a torna tão especial para os arremessadores.

Redação Confraria Tech.

Referências:
What makes baseball’s “magic mud” so special?


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admin