Ouça a história por trás da música falsa de inteligência artificial atribuída a um famoso cantor country que está morto há anos – e como o Spotify colocou um fim nisso!
A tecnologia de inteligência artificial tem avançado rapidamente nos últimos anos, trazendo inovações e possibilidades em diversas áreas, inclusive na música. Mas, como tudo na vida, há sempre aqueles que tentam se aproveitar dessas novidades para ganhar dinheiro de forma ilícita. Foi o que aconteceu recentemente com o Spotify, um dos maiores serviços de streaming de música do mundo.
No mês passado, uma música country de estilo antigo, intitulada “Distant Melody”, foi lançada no Spotify e creditada ao famoso cantor country Johnny Cash, conhecido por suas músicas icônicas e sua voz marcante. O problema é que Cash está morto há 17 anos, o que levantou suspeitas sobre a autenticidade da música.
Logo, os fãs de Cash começaram a questionar a veracidade da canção e, após uma investigação mais aprofundada, foi descoberto que a música era, na verdade, uma criação de inteligência artificial. A música foi produzida pela empresa canadense DADABOTS, que se descreve como “a primeira banda de heavy metal de IA do mundo”, em parceria com o designer de som, Taryn Southern.
Mas como isso foi possível? Como uma música falsa de inteligência artificial conseguiu ser creditada a um famoso cantor morto há anos? A resposta está na técnica chamada “deepfake”.
Para quem não está familiarizado, deepfake é uma técnica de inteligência artificial que utiliza algoritmos para criar vídeos, áudios ou imagens falsas, mas que parecem ser reais. Essa técnica pode ser usada de várias formas, desde vídeos engraçados até notícias falsas e, agora, até mesmo para criar músicas e atribuí-las a artistas famosos.
No caso de “Distant Melody”, a DADABOTS utilizou uma técnica chamada de “GAN”, que significa “Rede Adversária Generativa”, para criar uma música no estilo de Johnny Cash. A GAN funciona com duas redes neurais, uma que gera novas informações e outra que as avalia, criando um ciclo de aprendizagem que faz com que o sistema melhore a cada iteração.
Com isso, a DADABOTS alimentou a GAN com centenas de músicas de Johnny Cash, analisando sua voz, estilo e até mesmo letras de suas músicas. Após esse processo, o sistema foi capaz de criar uma música que realmente soava como uma composição original do cantor.
Mas por que a DADABOTS e Taryn Southern fariam isso? A resposta é simples: dinheiro. Ao lançar a música no Spotify creditada a Johnny Cash, eles esperavam lucrar com os direitos autorais e reproduções da música. Porém, essa tentativa de fraude foi rapidamente descoberta e o Spotify tomou medidas para retirar a música de sua plataforma.
Em um comunicado oficial, o Spotify afirmou que “a música em questão foi removida por violar nossas diretrizes de conteúdo. Levamos a autenticidade do conteúdo no Spotify muito a sério e estamos constantemente implementando medidas para garantir que o conteúdo seja de fato criado por quem afirma ser”.
Essa não é a primeira vez que o Spotify enfrenta esse tipo de problema. No ano passado, a plataforma também teve que remover uma música falsa de Bob Dylan, também criada por inteligência artificial, e atribuída a um artista chamado “Sleazy Buttons”.
O caso de “Distant Melody” é mais uma prova de como as tecnologias podem ser usadas de forma maliciosa e, ao mesmo tempo, nos faz refletir sobre o futuro da música. Atualmente, já existem artistas que utilizam a inteligência artificial em suas composições, mas sempre de forma transparente e criativa, sem tentar enganar o público.
A criação de músicas por inteligência artificial ainda é um assunto polêmico, pois muitos acreditam que isso pode ameaçar o trabalho dos músicos reais. No entanto, é importante ressaltar que a tecnologia é apenas uma ferramenta, e cabe ao artista utilizá-la de forma ética e criativa.
Além disso, o caso de “Distant Melody” levanta questões sobre o papel das plataformas de streaming na verificação da autenticidade do conteúdo. Como essas empresas podem garantir que o conteúdo que está sendo disponibilizado seja realmente autêntico? Esse é um desafio que o Spotify e outras plataformas de streaming terão que enfrentar cada vez mais no futuro.
Por fim, é importante ressaltar que a música é uma forma de arte e expressão, e o uso da inteligência artificial deve ser feito com responsabilidade e respeito aos artistas. A tentativa de ganhar dinheiro de forma ilícita através de deepfake é apenas mais uma prova de como a tecnologia pode ser usada para o mal. E cabe a nós, como consumidores e apreciadores da música, ficarmos atentos e conscientes sobre o que estamos ouvindo. Afinal, nem tudo o que parece real, de fato é.
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